terça-feira, 10 de julho de 2012

PROSA DIGITAL: BOLÍVIA - SANTA CRUZ / SAMAIPATA / COTOCA


O interesse em conhecer a Bolívia surgiu em função de sua proximidade, exuberância natural, cultura, gastronomia, facilidade aérea e econômica da localidade. Para essa viagem fui acompanhado da Lia Nardin, arquiteta urbanista e adepta a viagens sem grandes planejamentos.

Vídeo Bolívia Trip

Dia I: Chegada à Santa Cruz de La Sierra
Após 06 horas de vôo com escala em Asunción PAR, chegamos à Santa Cruz, como é popularmente conhecida, por volta das 14h. Através de contatos realizados com brasileiros que estudam ali, um taxi já nos aguardava na saída do aeroporto acompanhado da Narayane Rosa, brasileira, estudante de medicina e responsável pelo nosso receptivo em terras bolivianas.
Em poucos quilômetros percorridos já era nítida a característica ímpar de um país onde a economia não é tão favorecida, notada pelas construções, veículos e infraestrutura apresentada a cada trecho alcançado.



Artista de rua na praça 24 de Setembro

Cholita, personagem comum nas ruas de Sta Cruz

Trânsito caótico de Sta Cruz

Com uma breve parada apenas para deixar as malas na pequena pousada que também serve de apoio a estudantes recém chegados a cidade, fomos em direção à área central da cidade.
Fundada em 1561, Santa Cruz possui quase 2 milhões de habitantes e localiza-se no centro do país as margens do Rio Piraí. A cidade é a mais importante do Departamento de Santa Cruz. É a maior e mais populosa cidade da Bolívia, considerada o motor econômico do país.
Para nos familiarizarmos com a nova cultura local, optamos por realizar boa parte dos deslocamentos internos com o transporte público oferecido. Através dos micro ônibus, em sua grande maioria, bem avariados seguimos até a Praça 24 de Setembro.

Casa de Governo
Basílica Menor de São Lorenzo

As palmeiras e as flores oferecem um tom agradável a este lugar. No centro o visitante se depara com o monumento a Ignacioin Warnes, herói Boliviano. Ao redor encontram-se o Banco do Estado, a Alcaldia Municipal, a Casa da Cultura, que possui uma ampla mostra da arte boliviana, e o tradicional edifício da Prefeitura.

Casa da Cultura
Centro Histórico



















Um dos edifícios religiosos mais importantes da cidade fica situado também nesta praça, a Basílica Menor de São Lorenzo, muito bonita e conservada ela é construída de tijolos, característica da arquitetura colonial. O Museu da Catedral guarda interessantes elementos religiosos, muitos deles datados da época das missões.
Já se iniciava a noite e após um rápido lanche retornamos à pousada.

Frango,  prato mais comum encontrado nos restaurantes


DIA II - Sta Cruz
Toby, fast food boliviano
Santa Cruz ainda tinha mais o que oferecer e logo pela manhã, retornamos ao centro – aproximadamente 10km percorridos de onde estávamos.
A primeira meta seria a troca de cambio para facilitar a compra de produtos e serviços oferecidos. Próximo à Praça 24 de setembro existe uma rua apenas com casas de cambio e cambistas negociando a compra e venda da moeda local nas calçadas. Economicamente, ao turista estrangeiro, visitar a Bolívia custa pouco, pois o dólar tem um poder de compra grande na localidade.
Após reconhecimento das ruas paralelas ao centro histórico, compra de produtos de característica indígena no comércio local e almoço numa espécie de Mc Donald´s boliviano chamado TOBY, fomos até uma feira livre tradicional chamada Los Pozos. Ali o visitante encontra de tudo, desde comidas típicas, grãos, eletrônicos, à roupas com marcas falsificadas. Basicamente a lembrança é de uma micro 25 de março de São Paulo. Sem muito que fazer por ali, fomos até o Mercado Municipal. Havia um professor em minha graduação que dizia: Se você pretende descobrir a essência da cidade, vá até o Mercado Municipal. Pouco organizado e com muita variedade de produtos, 40 minutos foram suficientes para reconhecimento do espaço e registro com algumas fotografias. E de fato o Mercado retrata um pouco do que é Santa Cruz: uma bagunça organizada, onde o visitante se impressiona e a população se entende claramente.




Los Pozos - feira livre 

 Uma das quitandas do Mercado Municipal
Ala das carnes no Mercado Municipal

A noite Santa Cruz oferece excelentes alternativas de entretenimento. Localizado em um bairro nobre, visitamos o Bar Goss com novos amigos brasileiros. E foi exatamente ali que percebi o enorme contraste social da localidade - em conversas com alguns bolivianos que conhecemos, não existe a famosa classe média, ou se é pobre, ou se é rico. A pequena parcela que representa a alta sociedade da cidade, ali se encontrava. Com ótimo cardápio e estilo musical, o espaço pode agradar todo tipo de expectativa.

DIA III Samaipata
Às 8h da manhã um taxi já nos aguardava em frente à pousada para um dos destinos mais aguardados dessa viagem. Ramiro, além de taxista, é um profundo conhecedor da região e cultura boliviana. Ainda em Santa Cruz, ele nos sugeriu provar a famosa salteña, um dos pratos típicos locais, muito consumidos no café da manhã.  A salteña é uma espécie de empanado assado feito de carne de frango ou porco e um viscoso caldo agridoce. Após a primeira mordida, sugere-se que tome o caldo com uma colher inicialmente.
Com o café garantido, seguimos rumo a Samaipata. Distante 120 quilômetros de Santa Cruz, e a 2.000 metros de altitude em média, o percurso oferece belas e raras paisagens montanhosas entre pequenos vilarejos e pontos de venda de produtos agrícolas.





Paisagem a caminho de Samaipata

Venda de produtos agrícolas

Pequeno cemitério de um vilarejo

Após 2h entre as estradas sinuosas, chegamos ao centro de Samaipata. O local é considerado a capital arqueológica do oriente boliviano. A natureza impressionante e a história que se remonta desde os tempos pré-inca estão como se o tempo nunca tivera passado.

Mirante próximo ao centro de Samaipata
Monumento no centro de Samaipata






















Com uma pequena e organizada praça central, todo o entorno é direcionado para o turista com diversos locais de alimentação, hospedagem e venda de produtos de origem artesanal.  Dentre as mais variadas opções nos identificamos com um restaurante familiar de cozinha espanhola. O salão basicamente era no jardim da residência ao lado de uma pequena e eficaz horta orgânica. Com apenas 6 mesas e atendimento personalizado realizamos um rápido e descontraído almoço. 

Narayane, estudante de medicina e nossa guia na viagem 

Restaurante Tierra Libre- cozinha espanhola

Bife de Chouriço + acompanhamentos - equivalente à R$12,00

Fachada do restaurante


O período da tarde nos reservava o Fuerte Samaipata Forte de Samaipata um monumento arqueológico lavrado em rocha arenisca que inclui figuras zoomorfas, fontes de água, bancos de diversas formas e moradias, algumas cobertas hoje pelo mato, entre outras maravilhas.

Fuerte Samaipata- Rochas areniscas com figuras zoomorfas

Áreas de alojamento da comunidade Inca

Áreas de alojamento ai fundo

Ao fundo, oeste boliviano, início dos desdobramentos dos Andes


O Sítio Arqueológico de Samaipata era um local de antigos rituais indígenas. É formado por uma colina, onde estaria o centro cerimonial de uma antiga cidade. A enorme rocha esculpida, um complexo de estanques e canais, domina a localidade. Trata-se de um depoimento único das tradições e crenças pré-colombianas. Patrimônio da Humanidade, tombado pela UNESCO, é uma das maiores construções monolíticas do planeta. O significado de Samaipata na linguagem Quéchua é descanso nas alturas.



DIA IV Cotoca
Santuário da Virgem de Cotoca
Novamente com a companhia de nosso amigo taxista, seguimos até Cotoca, uma pequena cidade boliviana localizada na província de Andrés Ibáñez. 


A 25 quilômetros de Santa Cruz, encontra-se o Santuário da Virgem de Cotoca onde se venera a santa imagem da virgem. Aos finais de semana o local é muito frequentado pelos moradores de cidades vizinhas para a participação nos eventos religiosos, são celebradas sete missas todos os domingos e todas sempre lotadas. 


O entorno do santuário por sua vez, se organizou com uma pequena infraestrutura para o apoio do visitante, alguns pontos para alimentação e venda de produtos religiosos e artesanais da cultura local. 


A visita é interessante e atende as necessidades e expectativas de quem visita.







Sala dos pedidos

Comércio de Cotoca - bebidas típicas

Comércio turístico religioso

De lá seguimos direto ao restaurante do Ramiro. Em um confortável espaço construído dentro de sua residência, onde são servidos pratos típicos bolivianos todos os finais de semana.



Eu, Lia, Nara e Ramiro


Retorno
Com vôo previsto para 14h, seguimos ao aeroporto, e com mais duas escalas em Asunción e Buenos Aires, após 9h horas retornamos a São Paulo.

Dicas e Curiosidades:
ü  Com um pouco de persistência, as passagens podem ser compradas com milha por 4.000 pontos apenas cada trecho;
ü  A Bolivia não exige passaporte. Apenas o RG feito nos últimos 10 anos já basta.
ü  Troque o cambio com dólar. Hoje o poder de compra é maior;
ü  Negocie o valor das tarifas de taxi. O preço pode variar em até 50% para o mesmo destino;
ü  Santa Cruz é uma cidade relativamente segura e policiada, mas como todo grande centro urbano, fique atendo com os objetos de valores;
ü  Um bom almoço custa em média 35 bolivianos ou 10 reais;
ü  Utilize transporte coletivo. O valor é equivalente a 70 centavos de real e será uma ótima alternativa de entender o dia a dia da população;
ü  Não existe ponto de ônibus, o utilitário pode solicitar a parada o micro  em qualquer lugar;
ü  Prove as comidas típicas com destaque para a salteña;
ü  Reserve 25 dólares para a volta.  Todo estrangeiro paga essa taxa extra  no aeroporto antes do embarque;
ü  Todo motorista – taxi ou ônibus – possuem pequenos brinquedos e objetos infantis no painel do veículo. Como passam muito tempo trabalhando, essa é uma forma cultural para se recordar dos filhos;
ü  A folha de coca pode ser facilmente encontrada e consumida. Costuma-se mascar a folha com bicarbonato de sódio para prolongar o tempo de sabor. Possui  funções culturais, ritualísticas e nutritivas;
ü  Trazer a folha de coca para o Brasil é expressamente proibido;
ü  O transito é caótico e com péssima sinalização. Acalme-se, em pouco tempo se acostuma;
ü  Em 04 dias visitamos 15 restaurantes, percorremos aproximadamente 350km de taxi ou transporte coletivo urbano; pernoitamos 03 diárias na pousada e compramos todo tipo de artesanato típico encontrado. Valor médio gasto: R$ 450,00.

domingo, 20 de maio de 2012

VÍDEO: SÃO BENTO DO SAPUCAÍ - CULTURA E AVENTURA

Após publicação ma matéria sobre São Bento do Sapucaí/SP, segue agora o vídeo durante a estada no município.

http://www.youtube.com/watch?v=Rj6bwEAOvXg&feature=share

quarta-feira, 18 de abril de 2012

PROSA DIGITAL: SÃO BENTO DO SAPUCAÍ/SP


Localizado no coração da Serra da Mantiqueira, São Bento do Sapucaí se destaca pela simplicidade e organização das atividades oferecidas. Patrimônio arquitetônico e cultural, gastronomia, artesanato e os atrativos naturais peculiares da região formam uma excelente opção de passeio e atendem aos mais variados perfis de visitantes.


Dia I


Centro Histórico 

Igreja da Matriz
Cheguei ao município por volta das 10h da manhã e após uma rápida passagem na área central, fui em direção à Casa da Cultura Miguel Reale ao encontro de um dos guias locais do receptivo turístico “trilheiros culturais”. Creverson Claro, conhecido como Crevinho, iniciou o papo apresentando o local onde estávamos situados. A Casa da Cultura está localizada num casarão do XIX e sua missão é resgatar, preservar e divulgar o patrimônio histórico da cidade, organizando acervos, exposições, oficinas e projetos educativos. Após visita realizada e com novas sugestões, a poucos metros dali, fui em direção a Igreja da Matriz. Feita em taipa de pilão por escravos em torno de 1853, a igreja é um dos pontos mais visitados da cidade. Atualmente a matriz está em processo de tombamento. 


Ainda a pé, mais alguns metros adiante, me deparei com a Capela de Santa Cruz, popularmente conhecida como a capela de mosaico o espaço merece ser visitado por sua peculiaridade. Com o objetivo de revitalizar o espaço, os artistas plásticos Angelo Milane e Claudia Vilar utilizaram pequenos cacos ou outros produtos, desenhos e criações das mais diversas para compor o cenário atualmente oferecido. Como dizem que imagens de santos não devem ser jogadas fora, por mais quebradas que estejam, para dar destino a estas figuras, elas são abandonadas nas capelas. Assim, os artistas fazem uso desses fragmentos em seus trabalhos. Um modo de se desfazer delas sem ter de jogar no lixo para um aproveitamento artístico.

Já se passava das 12h30, um momento sugestivo para uma rápida parada para alimentação. Resolvi então almoçar no Restaurante Taipa. Com espaço amplo, ambiente aconchegante e decorado com a identidade do artesanato local – fibra de bananeira – e verdadeiras relíquias de tempos passados, o visitante ficará bem a vontade para degustar comidas variadas com perfil caseiro feito no fogão a lenha.






Casa da Cultura Miguel Reale

Capela de Santa Cruz



Bairro do Quilombo

Referência de arte em São Bento do Sapucaí, a comunidade rural é reduto de artesãos e ponto de manifestações culturais. Por volta das 14h cheguei ao centro de artesanato Arte no Quilombo. Em um amplo espaço, o visitante encontrará peças artesanais produzidas por vários artistas da região que utilizam matéria prima retirada no campo com ênfase em fibra de bananeira e palha de milho.

Dali, logo ao lado, está situado o Ateliê Ditinho Joana. O local oferece ao visitante verdadeiras obras de arte esculpidas em madeira nobre. O artesão Ditinho Joana, como é conhecido, retrata em seus trabalhos o dia a dia do povo da roça. Após trocar a enxada e foice por ferramentas de esculpir, sua primeira obra foi em 1974 e desde então centenas de esculturas já foram realizadas.

Artesanato - Arte no Quilombo

Ditinho Joana com uma de suas obras

Cachoeira do Toldi

Após visitar o Bairro do Quilombo e com a finalidade de aproveitar o final da tarde, o próximo destino foi a Cachoeira do Toldi. Com acesso pela estrada do Paiol Grande e entrada no empreendimento Buena Vista Café, para chegar à grande cachoeira percorri em trilhas da Serra do Baú por aproximadamente 1,5 km. As trilhas são de fácil identificação e autoguiadas – com sinalização – paralelas a diversas quedas d’água que denominam outras cachoeiras.  Após 40 minutos de caminhada me deparei com o principal atrativo. Com aproximadamente 100 metros de queda, a cachoeira do Toldi é considerada a mais alta de São Bento do Sapucaí.



Cachoeira do Toldi
Trilha para a cachoeira



























Hospedaria Casarão

Com o início da noite se aproximando e o corpo já pedindo um pouco de descanso, dentre inúmeras boas possibilidades de hospedagens existentes no município, me identifiquei com a Hospedaria Casarão. A fachada do local se resume em um belo casarão construído em 1900 pela tradicional família Costa Manso.

Ao entrar pelo portão principal, a grande surpresa, o empreendimento vai muito além do grande patrimônio arquitetônico citado. Com ambiente agradável e acolhedor em meio a muito verde, o espaço oferece em sua área comum, um requintado salão para café da manhã, sala de lareira com livros e jogos, área para churrasco e a sugestiva varanda com descansadeiras. Feito em pedriscos e cercado por gramados e plantas ornamentais, o caminho para os chalés oferece perfeita sensação de bem estar.

Os chalés são customizados e personalizados, onde cliente tem a possibilidade e escolher o ambiente de acordo com sua expectativa. Ao todo, são 04 suítes no casarão que acomodam em média 04 pessoas, e 04 chalés direcionados para casais.

Vale considerar o atendimento oferecido pelos proprietários, dando a sensação de realmente estar em um local familiar e a possibilidade do visitante levar seu animal de estimação para a localidade.


Fachada da Hospedaria

Chalé Verde
Interno Chalé
Varanda com descansadeiras
Salão do café da manhã

Área para churrasco
Vista noturna de acesso aos chalés



Noite em São Bento
Por se tratar de uma cidade típica de interior e com atividades intensas durante o dia, a noite em São Bento do Sapucaí é relativamente calma e praticamente se resume em bares e restaurantes na área central e imediações. Seguindo recomendação de um amigo, resolvi conhecer o Restaurante Passatempo Slow localizado no bairro do Serrano. A primeira impressão agrada. O contraste da noite com iluminação baixa na varanda e 03 luminárias feitas com fundos de garrafa pet em cores diferenciadas, junto à construção rústica do espaço, trazem um tom agradável e pitoresco à localidade.

Com cardápio diversificado voltado à produtos da Mantiqueira, o visitante que não estiver preocupado com o tempo de permanência no local, além da excelente gastronomia, as histórias do irreverente proprietário recheiam a noite com conteúdo e entretenimento.





Fachada noturna do Restaurante Passatempo Slow

Calzone da Casa

Penne 4 queijos com brócolis  e tomates



Dia II
Circuito no Complexo do Baú

Às 7h da manhã, o café na Hospedaria Casarão já estava preparado com o cardápio composto por pães e bolos caseiros variados, sucos com fruta da época, leite, café, iogurte, granola, frutas e geléias.

Após check-out realizado, o destino para o dia todo de atividades verticais e de montanhismo era o Complexo do Baú. Localizado no Bairro do Paiol Grande, é um dos pontos mais conhecidos do Brasil pelos praticantes de esportes de aventura, com destaque para asa delta, paragliding, rapel e escalada.

Seguindo pela estrada do Paiol Grande, em determinado trecho, entrei em uma pequena estrada que liga algumas propriedades rurais até chegar ao Restaurante Pedra do Baú, localizado na base da Pedra do Baú e ponto de partida para diversos produtos turísticos oferecidos. De início, o visual panorâmico da paisagem impressiona, pois de um lado temos o imponente Complexo do Baú e de outro, toda a vista do vale que dá acesso a cidade de São Bento.

Ali se encontra também a base da empresa Pedra do Baú Ecoturismo, responsável pelos passeios guiados e com os equipamentos de segurança para cada atividade. Dentre as várias atividades ofertadas, decidimos realizar um Circuito de Aventura no Complexo do Baú. Para a realização de todo o trajeto proposto, tivemos o apoio da empresa Gaia Eco Aventura, parceira em diversas atividades na região.




Vista do complexo do Baú
Início da trilha




























Após separar todos os equipamentos necessários para as atividades verticais, saímos em uma trilha íngreme com duração de aproximadamente 01h entre a vegetação característica da localidade até o topo do Bauzinho. O Bauzinho é a rocha mais visitada do município devido ao seu fácil acesso – de carro chega-se até o estacionamento localizado a cerca de 100 metros do cume – e possui uma vista privilegiava e inclui um visual espetacular da parte lateral da Pedra do Baú. No local é recomendado levar blusas ou anoraks – abrigos impermeáveis – devido à altitude e consequentemente baixa temperatura em relação à sede do município.

Com a realização do trekking e alcance do cume do Bauzinho, a próxima atividade seria um rapel – atividade vertical com utilização de cordas e equipamentos específicos – até a base do Baú. Foram 02 lances realizados somando aproximadamente 50 metros de descida. Chegando à base da Pedra do Baú, a partir dali existem duas opções de passeio:



Topo do bauzinho

Rapel no bauzinho


- A primeira é sugerida para pessoas com pouco ou nenhum conhecimento em atividades de montanha, onde, por mais uma trilha, o visitante vai até as escadas da face sul da rocha. São ao todo 600 degraus divididos em 300 de ferro e 300 cavados na rocha. Para isso são utilizados equipamentos e técnicas de ascensão para neutralizar a possibilidade de possíveis quedas.

- A segunda já é voltada para pessoas com um mínimo entendimento de escalada em rocha e foi essa que optamos. Conquistar a Pedra do Baú por sua via clássica é algo que exige pouca técnica, porém o fator da altura – a rocha possui 340 metros – contribui para aguçar a adrenalina do trajeto após a conquista.


Alan Fialho da Pedra do Baú Ecoturismo preparando a segurança
lia realizando a travessia

Denis Ramon da Gaia Eco Aventura dando suporte à travessia
Eu, escalando uma face da via
Chegando ao topo do da Pedra do Baú à 1950 metros de altitude o visual é ímpar e o visitante detém de uma vista panorâmica de 360 graus onde pode ser avistado 52 pontos de diferentes cidades do Sul de Minas e do Vale do Paraíba. Conquistada pela primeira vez em 1940, pelos irmãos Cortez, tempos depois foi construído no alto o primeiro abrigo de montanha do Brasil, que infelizmente não existe mais. Hoje pode se ver apenas a base e alicerces dessa construção.


Ultima parada até o topo do Baú

Topo do baú - ao fundo, a Mantiqueira

A próxima etapa seria a descida pelas escadas da face norte da rocha. Com 620 degraus, divididos em 300 de ferro e 320 esculpidos na própria pedra. O retorno a princípio é assustador em função da altura, mas depois torna-se confortável com os equipamentos de segurança oferecidos. Após cumprimento da etapa da escadaria, seguimos por mais 01h de trilha – agora em declive – até a base do Restaurante Pedra do Baú

Escadas da face norte - 640 degraus
Retorno para a base do restaurante Pedra do Baú




























Já eram 15h30 e naquele momento o que mais desejava era um perfeito almoço com cardápio voltado a culinária caipira, todo servido no fogão a lenha. 

Assim se resumiu 02 dias de atividades em uma das cidades mais interessantes do interior do Estado na atualidade. Como consta o trecho da musica Simplicidade: “Vai diminuindo a cidade, vai aumentando a simpatia...”, assim é São Bento do Sapucaí!











Vista parcial do restaurante Pedra do Baú

Retornando para casa

segunda-feira, 12 de março de 2012

VÍDEO BONITO/MS - UMA VIAGEM EM 05 DIAS

Após experiências realizadas e relatadas no post "prosa digital" (abaixo), segue um vídeo com todos atrativos visitados:


Destaque para o momento do registro da ariranha junto ao grupo

PROSA DIGITAL: BONITO/MS DIAS IV E V - Buraco das Araras e Rio da Prata

Chegamos ao quarto e mais aguardado dia, por conta dos atrativos a serem visitados. Dessa vez, o destino seria o município de Jardim, localizado a aproximadamente 60 quilômetros de Bonito. Com estrada em perfeitas condições, chegamos à localidade logo pela manhã. A visita com duração de um dia todo teria como atrativos, duas disputadas localidades.

Buraco das Araras

recepção do empreendimento
Em uma propriedade de porte médio, localizada ao lado da rodovia, encontrava-se uma modesta recepção - Com um passeio rápido e de contemplação com duração média de 01 hora – preço médio de R$30,00 – os visitantes são divididos em grupos de no máximo 10 pessoas e acompanhados de guia de turismo ou monitores ambientais, iniciam o percurso de aproximadamente 900m que os levará até uma das maiores dolinas – conhecida popularmente com sumidouro, é uma depressão circular formada pelo abatimento do solo em regiões de rochas carbonáticas (mármores, calcáreos) – do Brasil.
Mirante



Durante o trajeto pode-se observar a vegetação e fauna típica do cerrado, onde a contemplação é feita a partir de dois mirantes, instalados na beira do abismo, onde duas lunetas fixas estão disponíveis. Além da bela paisagem, deste ponto é possível observar o voo das araras e das outras aves que habitam o local, como curicacas, carcarás, pássaros-pretos, gralhas, papagaios, periquitos e eventualmente, o acauã e o gavião-pato.

Para melhor visualização das aves, a época do ano onde ocorre a visita e o horário frequentado é fundamental para superação de sua expectativa. Particularmente, fiquei mais satisfeito com a paisagem ímpar apresentada. Maiores informação poderão ser encontradas no site do empreendimento: www.buracodasararas.tur.br


Rio da Prata




receptivo rio da prata
Apenas alguns quilômetros do Buraco das Araras, o passeio de ecoturismo Recanto Ecológico Rio da Prata localiza-se na Fazenda Cabeceira do Prata. O local se destaca como um dos principais pólos ecoturísticos brasileiros, devido à rara beleza natural de rios cristalinos,  matas, fauna e flora.

Além disso, o sistema de organização das atividades turísticas é considerado um modelo no país. Assim como nas outras localidades, a infraestrutura da recepção é impecável, nesse caso, com uma aparência mais próxima de uma propriedade rural, o que sinceramente me agrada.


Na localidade o visitante pode optar pelos seguintes passeios: trilha e flutuação, mergulho com cilindro, passeio a cavalo, observação de aves e estudo do meio. O pacote adquirido e popularmente requisitado foi a trilha com flutuação no rio Olho D’água.

Após um breve conhecimento da localidade, fomos direcionados a uma área para vestimenta dos trajes adequados e repasse de algumas informações de conduta.

flutuação alinhada e planejada
águas cristalinas
Com grupos de no máximo 09 pessoas mais o guia especializado, fomos deslocados por alguns quilômetros por uma caminhonete até a Reserva Particular do Patrimônio Natural. Iniciou-se então uma tranquila caminhada pela mata do Olho D’Água, através de uma trilha interpretativa. Inúmeras árvores centenárias, orquídeas e bromélias são encontradas no trajeto, e existem boas chances de se observar aves e animais silvestres. A trilha termina na nascente do rio Olho d’Água em uma enorme piscina natural de águas cristalinas onde os visitantes recebem um breve treinamento para início da flutuação. É recomendada a locação de máquinas subaquáticas para registro de toda experiência a ser vivenciada – custa em média R$30,00 nas agencias receptivas.

cardumes de peixes
Ali percebemos que seria um grande dia, pois, apenas no breve circuito pela nascente, nos deparamos com um jacaré e surpreendentemente, com uma ariranha de grande porte que resolveu se exibir para o grupo em rápidas nadadas até conquistar seu desejado almoço, um enorme pacu de cor azulada. Segundo nosso guia, era a primeira vez que isso havia acontecido no local – em meu blog você poderá ver o vídeo que retrata essa experiência.



Após ânimos estabilizados iniciamos o passeio pelas suaves correntezas em um passeio por um mundo subaquático habitado por dezenas de espécies de peixes e plantas aquáticas. Cardumes de piraputangas, dourados, curimbatás, piaus, matogrossinhos e outros peixes do Pantanal são alguns dos companheiros durante a descida pelo rio.

Com cerca de 2 quilômetros de percurso, o passeio se encerra em um grande olho d’água conhecida como “vulcão” com uma vazão nunca vista até então. Após uma pequena trilha, pegamos um barco elétrico onde um moderado trecho foi percorrido pelo Rio da Prata até próximo a base onde se encontrava nossa caminhonete para retorno à sede da propriedade. O passeio dura em média 4 horas.

grande olho d'água
Ao chegar à sede, a requisitada e popular culinária sul mato grossense já nos aguardava no restaurante do empreendimento. Considerando o desgaste físico, junto a um consistente almoço típico, para fechar o dia com chave de ouro, nada melhor do que descansar alguns minutos antes do retorno, no redário da fazenda e contemplar a natureza. O passeio custa em média R$170,00 e inclui o acesso a propriedade, flutuação e almoço típico. Informações no site: www.riodaprata.com.br

DIA V

Malas prontas e logo pela manhã a van já aguardava em frente à pousada. Após pegarmos mais alguns visitantes, retornamos por aproximadamente 04 horas pelas inúmeras paisagens divididas entre vegetação de cerrado, áreas de pastagens e campos de soja até o município de Campo Grande. Após 02 horas aguardadas, entrei num voo até São Paulo.
Enfim, 05 dias de experiências memoráveis e recomendado para aquele que valoriza a interação do ser humano com a natureza de forma organizada e planejada. Não por acaso chama-se Bonito.